De Passagem Entrevista: Arlindo Luís

Neste primeiro episódio do De Passagem, entrevistamos Arlindo Luís, radialista, publicitário, pré-candidato como vereador pelo PDT de Mariana, e, antes de tudo isso: morador de Passagem.

Aqui conversaremos sobre os futuros desafios do município de Mariana pós-pandemia, os problemas de Passagem e até mesmo a história do próprio Arlindo e do PDT.

Dê o play para ouvir a entrevista.

Entrevista com Arlindo Luís

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O que é um distrito cultural

Foi lá atrás, no começo do século XVIII, mais precisamente em 1723, que o Rio de Janeiro ganhou o seu Aqueduto da Carioca, uma construção gigantesca, com mais de 17 metros de altura e 270 de extensão, que liga o bairro de Santa Teresa ao Morro de Santo Antônio e tinha como objetivo levar água do Rio Carioca para o Morro de Santo Antônio. Agora, alguns séculos depois, o espaço do aqueduto é mais lembrado por sediar o bairro da Lapa, um espaço boêmio do Rio, famoso por suas atividades culturais.

É no bairro da Lapa que encontramos um dos maiores exemplos de distrito cultural no Brasil, um tipo de projeto de região que, ainda que bastante presente em outros países e extremamente benéfico para a economia local, ainda é pouco explorado por aqui.

Quer saber um pouco mais sobre o que é, afinal, um distrito cultural e como esse tipo de ideia poderia ser aplicada em Passagem de Mariana? Então vem com a gente!

Os famosos arcos da Lapa, no Rio

O que é um distrito cultural

A ideia de distrito cultural é tão pouco explorada no Brasil, que para que possamos conceituá-la, é preciso buscar referências lá de fora, como a do Americans for the Arts, que coloca os distritos culturais como sendo áreas reconhecidas e rotuladas de uma cidade na qual uma alta concentração de instalações e programas culturais servem como principal fonte de atração, ajudando, assim, a fortalecer as economias locais e a criar um senso aprimorado de pertencimento.

Ainda segundo o Americans for the Arts, existem pelo menos 6 tipos de distritos culturais diferentes:

  • Distritos culturais compostos — Aqueles que abrangem tipos de artes diferentes em espaços diferentes (museus, teatros, cinemas, etc) em uma única região.
  • Distritos culturais formados por instituições — Quando pelo menos duas instituições ditam a rota cultural de uma pequena região.
  • Distritos de produção cultural — Aqui a produção cultural tem um caráter mais educacional e profissional, sendo muitas das vezes formado por centros comunitários, estúdios de artistas e centros de artes educacionais e instalações de mídia
  • Distritos culturais de centro — São aqueles estabelecidos em centros de municípios onde o foco por ali é mais turístico.
  • Distritos de cultura e entretenimento — Mais parecido com o caso do Bairro da Lapa, esses distritos misturam atrações culturais em pequenos espaços com algumas mais comerciais, indo até mesmo para o lado boêmio.
  • Distritos culturais orgânicos — Aqueles que surgem de forma orgânica, sendo mantidos por moradores da própria área e com apresentações culturais específicas daquela região.

Alguns exemplos de distritos culturais pelo mundo

No Brasil nós podemos observar alguns casos interessantes de distritos culturais, como o Distrito Cultural da Lapa, no Rio de Janeiro, onde o turista encontra uma sala de projeção, biblioteca, espaço para exposições e cafeteria. Já em Minas temos o caso do Pólo Audiovisual da Zona da Mata, de Cataguases, que levou o desenvolvimento econômico para a cidade através da produção cinematográfica.

Agora, nos Estados Unidos temos o caso do Wynwood, o distrito artístico de Miami, onde existe um grande museu de arte de rua a céu aberto com uma mistura única de renomados artistas e novos nomes sendo revelados dia após dia, além de restaurantes, bares, jardins e muita arte por todos os cantos.

Benefícios de oficializar Passagem como um distrito cultural

Por causa de estabelecimentos como o Sinhá Olimpia e produtores culturais, como o Circo Volante, o Clube Osquindô e a loja da Maria Sabão, dentre vários outros exemplos, Passagem de Mariana já se enquadra extra-oficialmente como o grande distrito cultural de Mariana. Oficializar isso tende a trazer mais benefícios para a região.

Programas envolvendo distritos culturais impactam positivamente no planejamento urbano das cidades, além do turismo, preservação histórica, desenvolvimento de negócios e emprego

Muitos estados também estabeleceram critérios para certificar ou designar distritos culturais e a assistência oferecida aos distritos pelas agências estaduais de artes varia de planejamento e assistência técnica a incentivos fiscais.

Agora que você conhece o conceito de distrito cultural e viu os benefícios de se transformar Passagem de Mariana em algo assim, que tal ajudar a nossa região a seguir este caminho?

Economia hiperlocal: como isso pode ajudar o nosso distrito

No ano de 2019, um dos grandes temas abordados no Fórum Econômico Mundial foi a Globalização 4.0, que levaria os contratos público-privado para um outro patamar. No entanto, apesar do processo de globalização parecer entrar em uma nova versão ainda mais conectada, muita gente tem colocado foco e energia no estudo de um cenário menos amplo e mais minimalista: o da economia hiper local.

Nunca ouviu falar sobre economia hiper local? Não faz ideia de como isso pode impactar a vida de quem mora em cidades como Mariana? Então vem com a gente que iremos explicar.

O que é economia hiper local?

Vamos partir do começo, explicando o que, afinal, é economia hiper local.

Esse termo diz respeito àquele grupo de atividades econômicas que funcionam em uma área bastante pequena. Pequena o suficiente para que a população mais próxima aproveite do que existe por ali apenas com o deslocamento a pé.

Paradarias são excelentes negócios para figurar na frente da economia hiper local

Ou seja: se em apenas um ponto da cidade você consegue fazer suas compras, cortar o cabelo, arrumar alguns materiais de construção e ainda se divertir sem precisar de um carro para se deslocar de um lado para outro, estamos falando de um local com fortes chances de ter uma economia hiper local.

Quais tipos de negócio andam melhor no cenário local

De maneira geral, tudo que pode ser produzido, vendido e consumido na mesma região, anda bem em uma economia hiper local.

Padarias, escolas, pedreiros, marceneiros, pintores, serviços médicos, academias, oficinas mecânicas, lojas de artesanato e vendas de hortifruti são bons exemplos por aqui.

Quanto maior for o leque de opções de segmentos de empresas em um local, e o consumo da comunidade por ali, maior também será a circulação financeira dentro daquele ambiente, fazendo com a região se torne mais forte economicamente até mesmo em períodos de crise.  

Testando projetos de economia hiper local em Mariana

Ainda que Mariana não seja uma cidade de grande porte — hoje sua população gira em torno de 60 mil habitantes — e o deslocamento a pé entre bairros seja bastante possível na maior parte dos casos, em tempos do COVID-19 o espaço geográfico ideal para se testar um projeto hiper local tende a ser menor do que em outros momentos. Por isso, é possível ter um sistema desse tipo em cada bairro e distrito marianense, desde que o ambiente seja propício para tal. 

Passagem, por exemplo, seria um ótimo lugar para se pensar em economia hiper local pois conta com vários segmentos diferentes de empresas (indo da produção artística à startups), um bom tamanho geográfico, sendo grande o suficiente para comportar vários negócios e ao mesmo tempo reduzido para suportar o deslocamento a pé, além de contar com a separação física tanto de Mariana quanto de Ouro Preto, seu vizinho mais ao norte.

Aqui vão alguns exemplos de como fazer isso.

Moeda Social

Uma forma de impulsionar a economia hiper local é através da criação de moedas sociais

Segundo uma publicação do coletivo Fora do Eixo, a moeda social surge na economia solidária como alternativa ao escambo. Ela é considerada um instrumento de desenvolvimento local, destinada a beneficiar o mercado de trabalho dos grupos que participam da economia da localidade.

Moedas Sociais: um item conhecido dos eventos

Para quem acha essa ideia um pouco bizarra, basta lembrar que a moeda social é bastante utilizada em festivais de grande porte (como Lollapalooza e Rock in Rio) e até mesmo em eventos menores, como festas juninas, onde os participantes trocam seu dinheiro por fichas, que por sua vez são trocadas por alimentos das barracas participantes.

Ações de incentivo ao consumo local

Além de ações, como a do SEBRAE, que incentiva o consumo de bens e serviços de pequenos produtores locais, e a adoção de algumas práticas como o locavorismo — aquele hábito de consumir apenas alimentos produzidos próximos de onde você vive, dando preferência aos gêneros cultivados nas redondezas ou manufaturados por produtores locais —, algumas comunidades, como a de Port Alberni, do Canadá, tem se juntado para oferecer cupons de desconto para quem compra através da internet dos negócios locais do distrito.

E aí, gostou do nosso post? Curtiu a ideia da economia hiper local? Então conte pra gente o que você achou aqui nos comentários do blog e aproveite para seguir o site de Passagem de Mariana nas redes sociais.